São Paulo, 23 de fevereiro de 2026 | Carolina Frandsen
A chegada do equipamento representa um avanço importante para a pesquisa translacional no Brasil. A nova plataforma combina citometria espectral de alta complexidade com imagem celular em tempo real, permitindo analisar células individuais com um nível de detalhe sem precedentes, tanto do ponto de vista funcional quanto morfológico.

O que é a citometria de fluxo, e por que ela é tão importante?
A citometria de fluxo é uma técnica que permite analisar milhares de células individualmente, identificando suas características físicas e moleculares por meio de marcadores fluorescentes. Em vez de mostrar um retrato panorâmico – e estático – de um tecido, o equipamento permite observar uma célula de cada vez, distinguindo tipos celulares, estados de ativação e até como elas interagem entre si.
Essa abordagem é especialmente relevante na imuno-oncologia, área que estuda como o altamente complexo sistema imunológico se comporta quando o corpo desenvolve um câncer.
A tecnologia ajuda a identificar assinaturas imunes associadas à resposta ou resistência ao tratamento, revelando, por exemplo, se um linfócito T está ativo, exausto ou suprimido. Com a evolução para a citometria espectral, tornou-se possível capturar dados funcionais, morfológicos e espaciais de cada célula em tempo real (e em alta velocidade!), abrindo caminho para terapias mais precisas e personalizadas.
O que torna o A8 revolucionário
O FACSDiscover™ A8 integra duas dimensões de análise em um único experimento: torna-se possível avaliar o perfil molecular detalhado das células, com mais de 50 parâmetros simultâneos, e ao mesmo tempo capturar imagens de alta resolução de células individuais durante a aquisição destes dados. Tudo isso enquanto lida com um grande volume de amostras, garantindo a padronização e eficiência das análises.
A automação robusta do equipamento, lançado globalmente em maio de 2025, é uma atualização muito aguardada pelo CRIO, e fortalece a expansão recente de suas coortes clínicas, que hoje incluem estudos em câncer colorretal, endometrial, ovariano, de cavidade oral, melanoma, tumores prostáticos e mieloma múltiplo.
Um salto para a pesquisa em Imuno-Oncologia na América Latina
Com a incorporação do FACSDiscover A8, o CRIO passa a integrar o grupo dos primeiros centros da América Latina a dispor dessa geração de citometria espectral com imagem de célula única.
A plataforma permitirá investigar com mais profundidade as populações raras de linfócitos T, células NK, macrófagos e fibroblastos associados ao tumor, além de integrar dados de coortes humanas e modelos pré-clínicos.
Esse nível de resolução amplia a capacidade de compreender mecanismos de resposta terapêutica e de resistência tumoral, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias melhor embasadas na medicina de precisão.
Capacitação técnica: Imersão em design de painéis espectrais
A implementação da nova tecnologia foi acompanhada por um treinamento intensivo de dois dias, entre 9 e 10 de fevereiro de 2026. A capacitação, conduzida por Bob Balderas, vice-presidente de Ciências Biológicas da BD Biosciences, reuniu pesquisadores da instituição em uma imersão em Design e Análise de Painéis de Citometria Espectral.

Ao longo do Workshop, Balderas apresentou os fundamentos da detecção espectral e do unmixing, discutiu critérios estratégicos para seleção de fluorocromos e detalhou boas práticas de controles experimentais e configuração instrumental. O especialista também abordou passos-chave de análise, estratégias de gating e controle de qualidade, e discutiu a identificação de artefatos e interpretação biológica dos dados.
A programação incluiu ainda atividades práticas, nas quais os participantes realizaram preparo de amostras, marcação celular, aquisição de dados e análises avançadas. Para a Dra. Juliana Apostólico, analista de pesquisa do CRIO, a interação com o especialista trouxe uma dimensão complementar ao conteúdo técnico:
“
A troca com o Bob Balderas foi especialmente marcante, agregando uma visão estratégica e aplicada à prática laboratorial”
Segundo a pesquisadora, a formação ofereceu não apenas atualização científica, mas também uma oportunidade de reflexão sobre o desenho experimental e a tomada de decisão em painéis espectrais complexos.

Além da presença internacional, o treinamento contou com o apoio de Guilherme Ferreira e Juliana Ronchi Correa, da BD, que contribuíram para a capacitação operacional da equipe. Para Guilherme Cebinelli, especialista em citometria de fluxo do Centro de Pesquisa,
“
Iniciativas como esta fortalecem nossa comunidade científica e impulsionam a inovação em citometria de fluxo high-dimensional e pesquisa translacional.”
Com a imersão concluída, o CRIO reforça sua capacidade técnica para explorar o potencial da citometria espectral e avançar em projetos de alta complexidade, consolidando-se como referência em pesquisa aplicada.
Parceria que impulsiona a ciência
A aquisição do equipamento foi viabilizada por uma colaboração estratégica entre o CRIO, a GSK e a BD Biosciences, reforçando o compromisso conjunto com o fortalecimento da pesquisa científica no Brasil (leia mais sobre o programa Trust in Science da GSK e sua parceria com o CRIO aqui).
Confira a galeria de fotos abaixo








